quarta-feira, 24 de março de 2010

A grande idéia

Saí de casa decidido naquela manhã de outono, o objetivo estava fixo em minha mente: quebrar o gelo e acabar com o tal orgulho, que eu jurava ser o que me mantinha de pé.
O plano? Coisa simples. Voltar ao nosso local secreto, o lugar onde nos beijamos pela primeira vez. E onde dissemos e prometemos um ao outro que ainda que...
Peguei meu saco de dormir e prontamente me coloquei em movimento.
No canto da praça, com uma foto em uma das mãos, no intervalo entre uma e outra carta que eu relia, pedia aos transeuntes:
-Ei! Se você vir essa garota, pode dizer a ela onde estou?
Algumas pessoas olhavam intrigadas. Outras se afastavam de mim, como se fosse um doente ou algo do tipo. Tantas outras tentaram me dar dinheiro, não entendiam que eu não estava falido e sim com o coração despedaçado. Eu sei que a minha idéia não faz nenhum sentido, mas como eu poderia prosseguir, se ainda a amo? E além do mais, é óbvio que se um dia ela acordasse e percebesse que sente a minha falta, o coração dela ia se perguntar por onde eu ando, eu estaria lá. Esperando no canto da praça.
Então o que fiz foi esperar.

Um dia um policial veio me dizer que eu não podia ficar aqui. Tenho consciência de que talvez seja ilegal, mas tenho que marcar território, e estou decidido a esperar, nem que seja por um dia, um mês, ou um ano. Sei que se ela mudasse de idéia, este seria o primeiro lugar a que ela viria, ainda que estivesse chovendo, ou até mesmo nevando.

Então os anos começaram a passar, e ela não veio. As pessoas começaram a questionar sarcasticamente a minha sanidade mental, ouvia coisas do tipo:
-Olha, não é o cara que está esperando pela "tal garota"?
-Poisé, não tem nenhum furo em seus sapatos, mas me parece que há um grande buraco em seu mundo.
Riam-se.

Foi quando decidi me mudar, e desde então moro aqui, sozinho. Na lua. Dentro do meu saco de dormir.

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Eu ia e vinha...

Eu ia e vinha...
... e era lá que eu me perdia, no espaço entre teus lábios.

Um travessão e uma exclamação.