quarta-feira, 10 de março de 2010

Fragmento Reticente nº I

Espera no corredor frio. Mais um pouco de café, para se manter aquecido e suportar. Ou fingir. São onze dias, que mais lhe parecem a eternidade. Pensa nos papéis em cima da mesa, cartas nunca escritas. O mundo tornara-se grande demais para que pudesse ser notado. Busca forças, sabendo que não pode encontrar. O único momento em que se sente vivo, em meio ao caos que se instalou em sua mente comprometendo-lhe a sanidade, é o momento em que pode visualizar o Anjo.

E lá ele está. Imóvel. Respiração leve. Os olhos fechados,inspiram no observador uma sensação momentânea de paz e tranqüilidade. Somente momentânea, a sensação.

O Anjo sofre e Ele não sabe como agir, tem vontade de fugir, pra longe, mas não poderia abandoná-lo. Ele vê que os medicamentos poupam o Anjo de sentir dor e sente em não poder transmiti-la, a dor, para o seu próprio corpo. Pensa na injustiça, na intolerância. É o maior teste que ele já enfrentou em sua vida...

(Fragmento nº I)

Um comentário:

  1. Das cartas não-escritas, do mundo grande demais... E de qualquer outra metáfora que remeta meus pensamentos à outra coisa, sempre, eu disse SEMPRE há alguma coisa, alguém, algum momento, qualquer coisa que, metaforicamente falando, seria nosso Anjo. Porque todos nós precisamos de uma válvula de escape, todos nós precisamos ser quem nós somos e não ser o que a vida nos obriga a ser. Quem não tem a tal válvula de escape, quer fugir - o que seria o meu caso, particularmente, assim como não tenho meu Anjo. Mas eu sei que eu tomaria as dores dele pra mim a fim de vê-lo bem como eu sempre vi. É como um daqueles amores incondicionais e super-dependentes, mas que ao contrário da maioria, não é corrosivo.

    Gostei do post, de verdade. Me fez pensar num monte de coisas, vazias ou não, que assim como não sei descrever, não chego à lugar nenhum com nada dessas coisas. Mas a sensação é boa, no meu caso, porque eu ainda vou encontrar um Anjo e ainda vou sentir a sensação de paz e tranquilidade que ele transmite, é tudo uma questão de tempo... De sorte, também, quem sabe. Se o post tem continuação, eu quero ler o resto.

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Eu ia e vinha...

Eu ia e vinha...
... e era lá que eu me perdia, no espaço entre teus lábios.

Um travessão e uma exclamação.