sábado, 8 de janeiro de 2011

Noite.

Em meio ao leve desfoque nas imagens à minha frente, sinto a mão fria percorrer meus ombros nus. Sua fala parece atravessada e a única coisa que prende minha atenção ao que ela diz, é o fato de sua voz embriagada vomitar algumas poucas palavras sem sentido juntamente com a abundante saliva que insiste em procurar meu rosto. Ela me abraça forte e o cheiro de nicotina invade meus pulmões, fazendo com que meu estômago se revire como um insone às duas da madrugada.

- Eu te amo, e quero passar a eternidade ao seu lado.
A eternidade para elase estende a algumas horas de sexo e diversão.

Não consigo reagir, espero um impulso que comande a fuga para longe desse inferno.
A batida da música ao longe entra em meus pulmões sufocados, e as imagens sem cor me levam a uma longa e monstruosa viagem para as cavernas do não-ser.
Eu não deveria estar ali, e essa cama parece grande demais para se estar com uma garota que eu no momento não consigo lembrar o nome.

Quando isso tudo começou? Não faz diferença. A última coisa de que me lembro são das palavras que penetraram minha alma como o frio do inverno e rasgaram meus pensamentos como a crosta primitiva da Terra em constante erupção: “Nunca te amei”.

E o teto gira.

Entrego-me aos carinhos de outra mulher. E me lembro do tempo em que era apenas um garoto, com dúvidas e certezas, dançando sempre no território do incerto e com o agora latente instinto autodestrutivo amenizado por uma vida bucólica e absolutamente incrível.

Sou eu, diante de mim no espelho, quando acordo com ressaca. É preciso encarar a luz do dia.
É cedo demais, e a cidade deve estar ocupada dormindo. Caminho mais uma vez perdido, mesmo sabendo que ela seria angústia desde o momento em que a escolhi, sinto que não posso voltar atrás.

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Eu ia e vinha...

Eu ia e vinha...
... e era lá que eu me perdia, no espaço entre teus lábios.

Um travessão e uma exclamação.